quinta-feira, julho 20, 2017

Passeio em Pilões e Guarabira pela Criativa Turismo

Quando tenho uma chance nunca perco uma oportunidade para estar no exterior. Mas no inverno, o nordeste também é um ótimo lugar para curtir o meu país. Durante um dia de domingo lindamente chuvoso, fui desafiada a explorar durante um bate e volta duas cidades do interior da Paraíba: Pilões e Guarabira em busca de atrações menos conhecidas. 
Utilizei de uma van fretada juntamente com outros passageiros e aventureiros, que nos permitiu chegar a lugares que normalmente não pode ser alcançado sem um carro, ou levaria uma eternidade para chegar de transporte público. 

Uma vez que chegamos na entrada de Pilões a km da capital João Pessoa fomos recepcionados pelo senhor Marcio, guia contratado para ciceronearmos durante todo nosso passeio. Se você estiver pensando em encontrar verdadeiras especialidades paraibanas, só um nativo poderá informar instantaneamente o que de melhor o lugar pode oferecer.




Nossa primeira aventura foi percorrermos sob uma agradável neblina uma trilha de baixo grau de dificuldade, margeando o curso do rio Araçagi num dos últimos resquícios de mata atlântica até a Cachoeira de Ouricuri que provém da denominação popular da palmeira Syagrus coronata, nativa da região Nordeste do Brasil. 
Após desfrutarmos de suas águas geladas que deslizam por uma série de declives talhados na rocha, precipitando-se numa pequena piscina natural de águas turvas, seguimos para a lucrativa região do cultivo de banana e mel. Por causa do solo argiloso devido a época das chuvas nossa van ficou uns 100 metros da casa do senhor Geraldo, um agricultor que exporta o mel da abelha jandaíra até para Alemanha. 


Seu Geraldo aguardava pacientemente pelo nosso pequeno grupo numa área protegida por alpendre coberto por telhas com suas dezenas de colmeias de Jandaíra, abelhas-sem-ferrão, protegidas do ataque do homem e da degradação ambiental. As jandaíras são nativas e possuem uma produção bem tímida, ao contrário da espécie exótica Apis mellifera, conhecida popularmente como africanizada e italiana, com um número expressivo de criadores no Brasil. Por serem dóceis, sem a necessidade de usar roupas de proteção todos puderam experimentar um pouquinho diretamente do favo de mel com textura leve, fina e num equilíbrio exato de doçura. Antes de despedirmos do meliponário a cozinha do seu Geraldo já estava movimentada, alguns comprando o litro de mel a 80 reais outros desfrutando mel com frutas. Depois de terminar nosso deleite açucarado, foi hora de queimar parte dessa energia por uma caminhada no centro da cidade numa atmosfera divertida pelas lojinhas de artesanato e nas gloriosas escadarias da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus erguido na encosta de uma montanha nos séculos XIX e XX.   
Começamos a tarde com um autêntico almoço regional. Eu optei por um pouco de feijoada e macaxeira gratinada com queijo e manteiga da terra e suco de maracujá enquanto desfrutava um pouco de estiagem no restaurante às margens da rodovia entre Pilões e Guarabira que dispõe de vários espaços de recreação quando o tempo está bom para nadar na lagoa ou piscina.

Guarabira, muitas vezes referida "berço das garças" pelos índios Potiguaras, primeiros habitantes no século XVI, está situada ao pé do Planalto da Borborema, uma grande barreira para as nuvens carregadas de umidade que vem do Oceano Atlântico em direção do interior, provocando chuvas nas regiões mais baixas do lado oriental e por isso Guarabira é a principal cidade de uma região caracterizada pela regularidade de chuvas. Muitos dos principais destaques da cidade podem ser cobertos em uma tarde com um pouco de gerenciamento de tempo e com orientação adequada do guia. 





Mas para fazer justiça a cidade, começamos nossa visita a estátua e museu do Frei italiano Pio Giannottio amplamente conhecido no Nordeste por Frei Damião de Bozzano, por propagar as ""Santas Missões", verdadeiras cruzadas missionárias, inclusive em Guarabira. O Santuário é visitado por milhares de pessoas todos os anos e cuja estátua tem 34m de altura contando com o pedestal onde abriga o museu encravado na Serra da Jurema a 340 metros de altitude. Sua rampa de acesso tem um desnível de 200m também utilizada para o esporte de voos livres nos meses de março a julho. 



 Entre a capela de Nossa Senhora da Conceição construída em 1730 e o conjunto formado por sobrados, ruínas e calçadas de pedra, priorizamos visitar o mais novo espaço cultural da cidade. Um belo e aconchegante casarão do século XX, que ficou 60 anos fechado e restaurado pela prefeitura que preservou a fachada e jardins. O Casarão da Cultura conta com os museus de art Naif, Arte Popular, Som e Imagem, e o Memorial Cunha Rego. Nosso guia orgulhosamente nos contou sobre a história de sua cidade que sempre foi próspera devido a sua localização na rota comercial entre o Agreste e Caatinga. 

Fique atento porque nos próximos dias vamos visitar outros destinos na Paraíba como a Pedra da Boca.  

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