segunda-feira, setembro 11, 2017

O passado abre suas portas para Criativa Turismo


Dos 550 engenhos mapeados na área do Suape, 40% estão reduzidos a vestígios arqueológicos, segundo pesquisa realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Considerado uma das 7 maravilhas de Pernambuco, o Engenho Uruaé é um dos maiores e mais preservados do Estado localizado a 71 km da capital pernambucana. Cultura, natureza e a história do ciclo da cana-de-açúcar estão preservados após 200 anos neste engenho que lembra a triste história da escravidão no Brasil. Foi nas terras do engenho Uruaé fundado em 1736, composto pela casa grande, moita com chaminé (local onde se produzia o açúcar), senzala e capela dedicada à Nossa Senhora da Piedade que viveu o abolicionista João Alfredo, ministro do Segundo Reinado. 
 João Alfredo filho de Manoel Correia d'Oliveira Andrade e de Joana Bezerra de Andrade nasceu na Ilha de Itamaracá no dia 12 de dezembro de 1835, na casa grande do Engenho São João do avô materno. Desde criança, João Alfredo teve uma preocupação constante com a vida política e a situação dos escravos no país e na sua senzala que abrigou 296 escravos. Aos 20 anos, foi eleito deputado. Aos 21 formou-se na faculdade de Direito do Recife. Tendo destacado como político e administrador, foi Ministro do Império (1870-1875), diretor da Faculdade de Direito do Recife (1876-1887); Senador do Império (1877-1889) e Ministro da Fazenda no Governo Hermes da Fonseca (1912-1914).   


O monarquista preocupou-se também com a cultura e educação tendo fundado no Rio de Janeiro, a escola de Aprendizes Marinheiros, a Faculdade de Medicina, direito e a Escola Politécnica, além de criar o ensino noturno, profissionalizante e a obrigação do registro de casamento e óbito. Foi grande protetor dos artistas, tendo encomendado a obra Avaí do pintor paraibano Pedro Américo.


O grande estadista pernambucano participou do processo de abolição da escravatura, extinguindo a escravidão no Brasil como ministro do gabinete Rio Branco, promulgando a Lei do Ventre Livre em 28 de setembro de 1871 e como presidente do gabinete 10 de março que promulgou ao lado da Princesa Isabel, a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.  Joaquim Nabuco: "João Alfredo é um nome que há de viver na história do país, quando todos os outros estiverem esquecidos".                                                                

  A criativa Turismo esteve no dia da Independência do Brasil neste clássico engenho no Município de Condado, região da mata pernambucana onde foi recebido pela senhora Eleonor Rabello, descendente do ministro João Alfredo e pertencente a Associação do Turismo Rural Ecológico (Apetur) que administra junto com o seu primo o engenho que funcionou como pousada por dez anos. Após reunir os nossos clientes na capela onde está sepultada Joanna Bezerra de Andrade, a senhora Eleonor contou a história e curiosidades da vida da família e moradores do quadrilátero do açúcar.







quinta-feira, julho 20, 2017

Passeio em Pilões e Guarabira pela Criativa Turismo

Quando tenho uma chance nunca perco uma oportunidade para estar no exterior. Mas no inverno, o nordeste também é um ótimo lugar para curtir o meu país. Durante um dia de domingo lindamente chuvoso, fui desafiada a explorar durante um bate e volta duas cidades do interior da Paraíba: Pilões e Guarabira em busca de atrações menos conhecidas. 
Utilizei de uma van fretada juntamente com outros passageiros e aventureiros, que nos permitiu chegar a lugares que normalmente não pode ser alcançado sem um carro, ou levaria uma eternidade para chegar de transporte público. 

Uma vez que chegamos na entrada de Pilões a km da capital João Pessoa fomos recepcionados pelo senhor Marcio, guia contratado para ciceronearmos durante todo nosso passeio. Se você estiver pensando em encontrar verdadeiras especialidades paraibanas, só um nativo poderá informar instantaneamente o que de melhor o lugar pode oferecer.




Nossa primeira aventura foi percorrermos sob uma agradável neblina uma trilha de baixo grau de dificuldade, margeando o curso do rio Araçagi num dos últimos resquícios de mata atlântica até a Cachoeira de Ouricuri que provém da denominação popular da palmeira Syagrus coronata, nativa da região Nordeste do Brasil. 
Após desfrutarmos de suas águas geladas que deslizam por uma série de declives talhados na rocha, precipitando-se numa pequena piscina natural de águas turvas, seguimos para a lucrativa região do cultivo de banana e mel. Por causa do solo argiloso devido a época das chuvas nossa van ficou uns 100 metros da casa do senhor Geraldo, um agricultor que exporta o mel da abelha jandaíra até para Alemanha. 


Seu Geraldo aguardava pacientemente pelo nosso pequeno grupo numa área protegida por alpendre coberto por telhas com suas dezenas de colmeias de Jandaíra, abelhas-sem-ferrão, protegidas do ataque do homem e da degradação ambiental. As jandaíras são nativas e possuem uma produção bem tímida, ao contrário da espécie exótica Apis mellifera, conhecida popularmente como africanizada e italiana, com um número expressivo de criadores no Brasil. Por serem dóceis, sem a necessidade de usar roupas de proteção todos puderam experimentar um pouquinho diretamente do favo de mel com textura leve, fina e num equilíbrio exato de doçura. Antes de despedirmos do meliponário a cozinha do seu Geraldo já estava movimentada, alguns comprando o litro de mel a 80 reais outros desfrutando mel com frutas. Depois de terminar nosso deleite açucarado, foi hora de queimar parte dessa energia por uma caminhada no centro da cidade numa atmosfera divertida pelas lojinhas de artesanato e nas gloriosas escadarias da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus erguido na encosta de uma montanha nos séculos XIX e XX.   
Começamos a tarde com um autêntico almoço regional. Eu optei por um pouco de feijoada e macaxeira gratinada com queijo e manteiga da terra e suco de maracujá enquanto desfrutava um pouco de estiagem no restaurante às margens da rodovia entre Pilões e Guarabira que dispõe de vários espaços de recreação quando o tempo está bom para nadar na lagoa ou piscina.

Guarabira, muitas vezes referida "berço das garças" pelos índios Potiguaras, primeiros habitantes no século XVI, está situada ao pé do Planalto da Borborema, uma grande barreira para as nuvens carregadas de umidade que vem do Oceano Atlântico em direção do interior, provocando chuvas nas regiões mais baixas do lado oriental e por isso Guarabira é a principal cidade de uma região caracterizada pela regularidade de chuvas. Muitos dos principais destaques da cidade podem ser cobertos em uma tarde com um pouco de gerenciamento de tempo e com orientação adequada do guia. 





Mas para fazer justiça a cidade, começamos nossa visita a estátua e museu do Frei italiano Pio Giannottio amplamente conhecido no Nordeste por Frei Damião de Bozzano, por propagar as ""Santas Missões", verdadeiras cruzadas missionárias, inclusive em Guarabira. O Santuário é visitado por milhares de pessoas todos os anos e cuja estátua tem 34m de altura contando com o pedestal onde abriga o museu encravado na Serra da Jurema a 340 metros de altitude. Sua rampa de acesso tem um desnível de 200m também utilizada para o esporte de voos livres nos meses de março a julho. 



 Entre a capela de Nossa Senhora da Conceição construída em 1730 e o conjunto formado por sobrados, ruínas e calçadas de pedra, priorizamos visitar o mais novo espaço cultural da cidade. Um belo e aconchegante casarão do século XX, que ficou 60 anos fechado e restaurado pela prefeitura que preservou a fachada e jardins. O Casarão da Cultura conta com os museus de art Naif, Arte Popular, Som e Imagem, e o Memorial Cunha Rego. Nosso guia orgulhosamente nos contou sobre a história de sua cidade que sempre foi próspera devido a sua localização na rota comercial entre o Agreste e Caatinga. 

Fique atento porque nos próximos dias vamos visitar outros destinos na Paraíba como a Pedra da Boca.  

sexta-feira, junho 30, 2017

A Rota do Sol e das Emoções que você precisa conhecer

Malas prontas e um com toda adrenalina para desfrutar uma boa viagem partimos de João Pessoa pela Rota do Sol e das Emoções nos Estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. 
BAIA FORMOSA- A Mata Atlântica existente ainda nas grandes falésias.
 Para quem vem do sul, a Baia Formosa é a primeira cidade do litoral potiguar e assim que chegamos fizemos uma parada no Mirante para ver essa formosura do alto da falésia. Praias belas e desertas, lagoas de água doce e a reserva particular Mata Estrela é o maior espaço do RN com remanescência de Mata Atlântica - único existente sobre dunas. A cidade distante 97 km de Natal, tem como principais fontes de renda o turismo, a pesca e a usina açucareira. 
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 Percorremos de buggy, 18 km com duração de 3 horas ao custo de R$85,00 por pessoa as belezas da convidativa região, ciceronizado pelo excelente guia local “Dedeca” grande conhecedor de todas as atrações daquela pacata e acolhedora cidade de quase 9 mil habitantes. Primeira parada foi no Cemitério dos Golfinhos ou Santuário Ecológico das tartarugas marinhas com suas réplicas, esqueletos e painéis onde o Projeto Tamar monitora e registra todos os ninhos de tartarugas nos 33 km de praias no Estado Potiguar. O trabalho é voluntário e a entrada é gratuita. No local há belas camisetas a venda para manter o projeto. 






Trilhando bem, nosso guia vai deixando para trás o imponente Farol Bacopari encravado há quase 100 anos atrás no Cabo de mesmo nome e com certeza identificado pelos velejadores na linha do horizonte por seus 30 m de altura em relação ao nível médio do mar.



  Um dos lugares mais famosos é a Lagoa da Araraquara ou Coca-Cola por causa de suas águas escuras e avermelhadas, mas o ponto máximo do passeio é parada no Bar e Restaurante Nativos, um ambiente familiar e sossegado  com mesinhas a beira mar, um atendimento nota dez da proprietária Isabel que preparou um delicioso suco de acerola acompanhado do pastel de arraia. Pudemos também degustar de alguns dos 25 tipos de cachaça expostas no estabelecimento. 










O marco da região é o Rio Guaju na Praia de Sagi,  que separa os Estados da Paraíba e o Rio Grande do Norte. Uma ótima opção para relaxar e divertir na tiroleza. 
 Vista da  singela vila de pescadores com 800 habitantes com sua mata nativa vistos por todos os ângulos do alto do mirante. 








De volta ao ponto de partida no Hotel Chalemar onde os atores da novela Flor do Caribe ficaram hospedados, seguimos para a Barra do Cunhaú na Foz do Rio Curimataú, conhecido como Simbaúma ou Catú, quando suas águas se entrelaçam com as do Oceano Atlântico. O rio conhecido por suas deliciosas curimatãs (peixe prateado e achatado), banha cerca de 30 hectares de produção de camarão. 



 Travessia de balsa para Barra de Cunhaú ao preço de R$15,00 reais.







Transformadas em verdadeiros cartões postais, as praias e Timbau do Sul e Pipa são exemplos de endereços concorridos para quem segue na direção do litoral norte. 
Timbau do Sul- RN ainda na Costa Potiguar.
Que tal acordar todos os dias com essa linda paisagem? Isso sim é vida!







Um tour no litoral de Pipa-RN







No segundo dia deixamos o Hotel Marinas Resort em Timbau do Sul com destino as águas termais de Mossoró. Hotel Thermas Resort  





Antes de seguirmos viagem para a verdadeira Rota das Emoções fomos influenciados pela matéria do Jornal Folha de São Paulo que definiu um vilarejo chamado Ponta do Mel como sendo um lugar perdido no tempo, rodeado por falésias coloridas, com dunas claras e rosadas. Único lugar do sertão que se encontra com o mar no Rio Grande do Norte.  





Depois de deixamos o vilarejo perdido no tempo seguimos para Canoa Quebrada no Ceará sede do Município de Aracati e distante 163 km de Fortaleza. 
As famosas Falésias de Canoa Quebrada e Morro Branco com cantas cores, até um camaleão ficaria com inveja.




 Labirintos naturais compõem as falésias coloridas do Morro Branco, que são matéria prima das tradicionais garrafinhas com as paisagens desenhadas com areia, técnica chamada de Ciclogravura ou sericografia.





 Quando o sol bate na barreira alaranjada, reproduz a cor natural desta praia com o contraste com o azul intenso do céu.



Aldeia de pescadores que marcou os anos 70 como um paraíso hippie, as jangadas se lançam ao mar e não há em minha terra natal paredão mais colorido que o majestoso penhasco avermelhado e tatuado com a lua e a estrela. Símbolo que representa a verdadeira amizade também para os asiáticos. 









O passeio de buggy em Canoa Quebrada custa R$100 reais por pessoa e nele esta incluso os esportes mais radicias nas dunas que formam um imenso tapete, circundado por águas azuis no paraíso das Cangalhas. O meu preferido foi o “Insano” que custa R$ 18,00 reais.






JERICOACOARA- CEARÁ



No quarto dia, com um português, que ironia do destino, seguimos para a Jericoacoara ou “moradia das tartarugas” segundo cartas náuticas do século 16 foi ocupada pelos portugas com interesses em pedras preciosas e a extração de sal. 
Ambientes costeiros como Jericoacoara que abrigam lagunas, estuários e baías cujas características ecológicas e o uso intensivo que deles se faz, são potencialidades para o crescimento de atividades turística, pesqueiras, portuárias e recreativas. Mas de outra banda as pessoas seduzidas pelas imagens e falsas aparências expressas por meio da mídia do turismo, começaram a abandonar suas atividades pesqueiras e agrícolas, venderam suas casa à beira-mar, construíram suas moradias em locais mais distantes, cedendo seu espaço tradicional e histórico aos “de fora”, não reconhecendo o direito aos “nativos” de lucrar com o boom turístico.







 O que é mais significativo e realmente simbólico? Uma pequena igreja erigida pelos locais ou uma Pedra Furada? 



Até o jornal norte-americano “The Washington Post” classificou Jericoacoara como uma das dez mais belas praias do planeta. Será que os novos ventos depois de duas década não tornou a tribo indígena dos jericoacoarenses numa planície alagada pelos forasteiros desavisados? Um monumento natural turístico que foi implantado por um estrangeiro dono de um hotel e que precisa totalmente dos serviços nativos de transporte, alimentação e hospedagem. 







Durante nossa grande aventura pela faixa litorânea do ceará, pudemos observar entre tantas belezas naturais com suas significativas riquezas, o risco do intenso processo de ocupação desordenada nos espaços litorâneos (falésias ou Barreiras) e nos manguezais que cumprem funções essenciais na reprodução biótica marinha e no equilíbrio das interações da terra com o mar, trazem elevado custo econômico e social ao tentar restabelecê-las, pois o manguezal e marisma reduzem a energia das ondas, protege a costa, recicla nitrogênio e melhora a qualidade da água. 

PARNAÍBA
A cidade de Parnaíba, no Piauí, é a porta do terceiro maior delta do mundo e único das Américas que deságua no oceano. O Delta do Parnaíba, um dos lugares mais belos e incomuns do planeta é um arquipélago com dunas, mangues, praias e piscinas naturais que abre-se em cinco braços, envolvendo 73 ilhas fluviais, com paisagem exuberante. É o cenário paradisíaco entre o Piauí e Maranhão.


 Porto das Barcas - Recepciona os turistas num cenário intimista e acolhedor.

 O trajeto entre as cidades do Ceará e Piauí pode ser percorrido por 4x4, buggys ou carro de passeio pelas rodoviais, praias, dunas e balsas. Pelo rio partindo no Porto das Barcas, onde funcionou no início do século XX, o centro de exportação da carne de charque, o melhor transporte é a lancha rápida que comporta até 14 pessoas conhecida como "voadeira" percorrendo igarapés e manguezais, para observação dos macacos prego e bugios. Na Ilha das Canárias, segunda maior ilha do delta e na Baia do Feijão Bravo, com suas belas formações de dunas há vistas panorâmicas de todo o ecossistema. 


















O roteiro é ainda mais marcante com a descoberta de aromas e sabores inesquecíveis como a torta de caranguejo, espetinhos de lagosta, camarões, castanhas, umbu e cajá. O passeio inclui visitas às cooperativas e associações comunitárias de artesões, com seus trançados em palha de carnaúba, agave, cipó de leite, taboa, esculturas de namoradeiras em barro, cachorrinhos magros feitos em madeira de umburana e os que confeccionam os famosos desenhos em garrafinhas com areia colorida retiradas das falésias das praias do Ceará.






Nossa viagem reuniu no mesmo passeio o Parque Nacional de Jericoacoara na Costa do sol Poente (CE), a Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba(PI) e o Parque Nacional dos Lenções Maranhenses com paisagens paradisíacas em cinco dias de aventura intensa.

O passado abre suas portas para Criativa Turismo

Dos 550 engenhos mapeados na área do Suape, 40% estão reduzidos a vestígios arqueológicos, segundo pesquisa realizada pelo Instituto do Pa...